Calma gente, não estou me referindo ao Beckham nem ao Hugh Grant! É o idioma inglês, o idioma!!!
Estive pensando sobre por onde deveria começar minha narração, se de quando me tornei tradutora ou de antes, e cheguei à conclusão de que se eu não explicar algumas coisas do passado, vou ficar fazendo referência o tempo todo (ou pior, usando notas pra explicar, eeeeeecccccccaaaaaaaa!!!).
Bueno, quando nasci o Elvis estava quase passando desta pra melhor (se é que foi mesmo, em meio a tantas teorias a gente nunca sabe) e minha mãe tinha pilhas de discos dele (podia faltar ceia de natal, mas disco do Elvis e do Roberto era batata!). Uma vez, eu com uns dois anos, indo para Bebedouro (morava em Sampa, quando ainda era da garoa) visitar os familiares, subo no colo do meu pai no ônibus e começo em alto e bom som: "burisiuônfomôrein tiuforshow ni ni uêi" e depois engatei com "turê furê ou rúre". Ali começava minha história de amor com o inglês.
A família era muito pequena: eu, minha mãe e meu pai. Morávamos na Vila Matilde, em uma daquelas casas bem apertadinhas e tínhamos uma vida bastante humilde. Meu pai trabalhava igual um doido, das 4 à meia-noite, encarando trabalho pesado no Mercado Municipal. Minha mãe cuidava de mim e da casa. Certo dia decidiram ir pra Bebedouro porque estava difícil lá.
Aos cinco anos cheguei no interiorrrrrrrr e de lá só saí depois de muito tempo. Meu pai começou a trabalhar em uma empresa boa da região até que, aos 28 anos, foi aposentado por invalidez (doença de Chagas). Aí a coisa ficou trágica!!! Ele não conseguia arrumar emprego, tinha que viver de bico. Ralou igual maluco a vida toda para garantir o básico. Mas uma riqueza ele me deu: coragem pra lutar! Valeu paizão!!!
Ao longo dos anos eu vivi como foi possível, escola pública, cabelo tigela e miopia de 6 graus (óculos fundo de garrafa, obviamente) e todo asco que os meninos poderiam ter por uma menina "gatinha" como eu. Eu sempre quis ser a noiva da festa junina. Lógico que fiquei querendo, hahahaha. O jeito foi virar CDF. Aí todo mundo queria ser meu amigo na véspera das provas.
Minha paixão pelo inglês continuou e sempre fui muito bem na escola, até que chegou uma época em que todos faziam inglês, menos eu. Não tinha grana, sem chance. Tem problema não, desenvolvi meu método. Minhas amigas me traziam aqueles folhetos de músicas traduzidas de uma escola famosa (vocês sabem qual é) e com isso, algumas fichas telefônicas (lógico que não tinha telefone) e um gravador antigo, aprendi muito mais que muita gente.
Então era assim, vinha o folheto, eu preparava a fita, ia no orelhão, ligava na rádio, pedia a música para gravar (sim, se não pedisse pra gravar não tinha aquela vinheta pra você ficar esperto) e corria de volta pra casa pra poder pegar a música. Enquanto ouvia, lia, entendia com a ajuda da tradução e decorava a música ao ponto de cantar inteira sem olhar, fazia o mesmo com a próxima música. Lógico que a ordem era da mais popular para as desconhecidas. Coitadas das teachers que tinham que me aturar com mil dúvidas que ninguém tinha! Funcionou! Não tenho do que reclamar do inglês da escola pública, he he!!!
Isso foi longe até que, no segundo ano colegial, recebi minha primeira proposta de trabalho: traduzir um encarte do Iron Maiden (Fear of the Dark) em troca de um dicionário escolar Michaellis sem a capa. Aceitei na hora, lógico. Fiz sabe Deus que tradução! Mas ganhei meu companheiro. Eu lia, decorava e entendia aquelas chaves de pronúncia (que só fui saber do que se tratava na faculdade) intuitivamente. Aliás, ele me acompanhou até a faculdade. Só abandonei porque estava soltando todas as folhas.
Foi muito tempo nessa toada, eu amava cada vez mais o inglês e, cada vez mais, o pessoal tirava sarro de mim. Eu só dizia: vai rindo, um dia ainda vou ganhar dinheiro com isso!!! Nunca imaginei que fosse ganhar dinheiro praticamente SÓ com isso, hahahahhahaha.
Bem, a miopia sumiu do nada, meu cabelo cresceu, fiquei gatinha... e os meninos que tinham medo de mim começaram a me olhar de forma diferente, foi minha vez de esnobar, HA HA. Virei roqueira, cantava muuuuuuito e comecei a trabalhar cedo. Foi tudo muito difícil, mas muito proveitoso (embora esse método "caseiro" de aprendizagem tenha me causado frustração anos mais tarde ao tentar ser professora, mas isso é assunto pra outra prosa).
Por enquanto é isso, tenho que me controlar senão fico aqui direto, gente como é gostoso fazer isso, hahahaha.
Até breve.
Adri
Que presente este blogue! Acho o máximo conversar com você e dar umas risadinhas, mas o tempo é tão escasso... Aqui eu posso ter um pouquinho desse seu jeito tão divertido.
ResponderExcluirValeu Adriana :-)
Hahahahha... amei a história... fiquei mais orgulhosa ainda de vc, como se fosse possível! Bjão!!
ResponderExcluirAhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
ResponderExcluirsó quem conviveu sabe desse gritinho desesperador, rs.
To amando viu, estarei sempre aqui pra ler essa sua real historia...
Te amooo
kisses,
day*
"inglês" bom é o que vem do folheto (da tal escola de inglês) lol...adorei!!!
ResponderExcluirMe identifiquei horrores! Meu blog está cozinhando ainda (tadinho, vai ficar empapado de tanto tempo), mas quando estiver pronto quero que fique tão bacana quanto esse =)
ResponderExcluirDear Adriana,
ResponderExcluirJust came across a reference to your blog on the Orkut community and thought I'd take a look at it. Congratulations on the good work!
I'm a translator just like you - I only translate EN/PT as "mio español no es buono, come usted puede ver".
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PAUL