sábado, 8 de janeiro de 2011

Seja muito bem-vindo, 2011!!!

Olá queridos!

Gente, aconteceu tanta coisa de quando o maldito bateu no meu carro, foi uma sucessão de problemas para resolver, trabalho que foi chegando sem parar, que tive que priorizar algumas coisas para conseguir o básico: trabalhar, comer e dormir (trabalhar muito, comer muito mal e dormir muito pouco).

Definitivamente, tenho que mudar muita coisa em minha vida...

No próximo post voltarei a falar da minha mudança para o Paraná e começarei a contar como os caminhos foram traçados para eu estar hoje aqui.

Desejo a todos vocês um 2011 cheio de felicidade.

Vocês já pararam pra pensar na palavra felicidade? Ela tem tudo, se você tem felicidade é porque tem saúde, porque tem amor, porque tem paz, porque tem sucesso, porque tem dinheiro, porque tem tudo que te faz feliz... então desejo apenas FELICIDADE...

Um beijo

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sumiço

Olá queridos, bom dia.

Vim dizer que não desapareci nem desisti do blog. O caso é que um maldito bateu no meu carro e estou correndo atrás de mil coisas. Então está difícil me concentrar no trabalho ou fazer qualquer outra coisa que não seja pensar como resolver esses problemas.

Esta semana tenho viagem marcada para Brasília pra visitar a netinha do maridão... Volto só segunda. Vou tentar escrever durante esses dias.

Um beijo e uma semana maravilhosa a todos vocês.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O inglês ficou pra depois, bem depois...

Gente, estou amando os comentários, viu?!!! Fico toda felizinha e preocupada em escrever coisas para manter vocês animados. Muito obrigada mesmo!!!

Então... com o passar do tempo, aprendi inglês e trabalhei muito. Comecei tomando conta de duas crianças e uma casa no período da tarde (depois da aula) aos 12 anos, depois, trabalhei em uma fábrica de jeans (onde consegui costurar o indicador esquerdo), depois em um supermercado. No supermercado passei pela lanchonete, setor de frios, caixas. Era brabo para uma menina de 16-17 anos ficar aos sábados trabalhando até às 2 da manhã! No domingo não tinha ânimo pra nada.

Enfim, os anos foram passando, virei secretária em uma loja de equipamentos de escritório, depois de um escritório de advocacia (onde aflorou um desejo enlouquecido de virar advogada), caixa de farmácia (bico que fazia à noite), e depois secretária em uma escola de informática. Lá foi a única vez que tive algum contato com inglês, pois ofereciam curso também. Eu acabei me frustrando porque não usava meu inglês. O pessoal do sarro parecia estar levando a melhor.

Uma vez surgiu uma única oportunidade na vida de fazer a tão sonhada faculdade de Direito. Em Araraquara havia um programa que a prefeitura custeava metade e o aluno só pagava a metade. Seria ótimo, se a metade não levasse todo meu salário de secretária. É uma daquelas oportunidades que você fica sem saber como agir. Eu tinha tudo na mão para fazer a faculdade, estágio garantido, livros no escritório à disposição... mas não ia sobrar grana nem pra comprar um caderno. Esperar do meu pai, coitado, seria sacanagem, ele já fazia o que podia pra pagar aluguel e dar conta de tudo sozinho! O jeito foi simplesmente desistir...

Bem, namorei, encontrei um cara bacana e decidimos morar juntos. Alguns meses depois, engravidei. Nossa! Que emoção! Mãe aos 22! Mas no primeiro ultrassom (do SUS, que demorava "só" três meses) tive duas notícias: eram gêmeos, mas infelizmente, estavam mortos! Eu não entrei em processo abortivo, até hoje não sabemos a causa, tudo é má formação no SUS. Só sei que ganhei dois filhos e os perdi no mesmo dia! Sofri muito, chorei muito. Passei por uma curetagem e foi o fim daquele ciclo...

Alguns meses depois, em meio a uma incerteza profissional, não sabendo se deveria vender óculos de sol paraguaio na praia ou se prestava concurso pra Receita Federal, a família do então marido arrumou um negócio para tocarmos (um mercadinho) no Paraná (ele é de lá). Aquilo foi o princípio de um caos do qual só saí pelas mãos de Deus!!! Desse momento até me tornar tradutora seriam 12 eternos anos. Não sei se foi a pior ou a melhor escolha que fiz na vida. Só sei que se o inferno existe, devo ter tido uma boa amostra...

Continua...

Adri

terça-feira, 6 de julho de 2010

Um inglês na minha vida...

Calma gente, não estou me referindo ao Beckham nem ao Hugh Grant! É o idioma inglês, o idioma!!!

Estive pensando sobre por onde deveria começar minha narração, se de quando me tornei tradutora ou de antes, e cheguei à conclusão de que se eu não explicar algumas coisas do passado, vou ficar fazendo referência o tempo todo (ou pior, usando notas pra explicar, eeeeeecccccccaaaaaaaa!!!).

Bueno, quando nasci o Elvis estava quase passando desta pra melhor (se é que foi mesmo, em meio a tantas teorias a gente nunca sabe) e minha mãe tinha pilhas de discos dele (podia faltar ceia de natal, mas disco do Elvis e do Roberto era batata!). Uma vez, eu com uns dois anos, indo para Bebedouro (morava em Sampa, quando ainda era da garoa) visitar os familiares, subo no colo do meu pai no ônibus e começo em alto e bom som: "burisiuônfomôrein tiuforshow ni ni uêi" e depois engatei com "turê furê ou rúre". Ali começava minha história de amor com o inglês.

A família era muito pequena: eu, minha mãe e meu pai. Morávamos na Vila Matilde, em uma daquelas casas bem apertadinhas e tínhamos uma vida bastante humilde. Meu pai trabalhava igual um doido, das 4 à meia-noite, encarando trabalho pesado no Mercado Municipal. Minha mãe cuidava de mim e da casa. Certo dia decidiram ir pra Bebedouro porque estava difícil lá.

Aos cinco anos cheguei no interiorrrrrrrr e de lá só saí depois de muito tempo. Meu pai começou a trabalhar em uma empresa boa da região até que, aos 28 anos, foi aposentado por invalidez (doença de Chagas). Aí a coisa ficou trágica!!! Ele não conseguia arrumar emprego, tinha que viver de bico. Ralou igual maluco a vida toda para garantir o básico. Mas uma riqueza ele me deu: coragem pra lutar! Valeu paizão!!!

Ao longo dos anos eu vivi como foi possível, escola pública, cabelo tigela e miopia de 6 graus (óculos fundo de garrafa, obviamente) e todo asco que os meninos poderiam ter por uma menina "gatinha" como eu. Eu sempre quis ser a noiva da festa junina. Lógico que fiquei querendo, hahahaha. O jeito foi virar CDF. Aí todo mundo queria ser meu amigo na véspera das provas.

Minha paixão pelo inglês continuou e sempre fui muito bem na escola, até que chegou uma época em que todos faziam inglês, menos eu. Não tinha grana, sem chance. Tem problema não, desenvolvi meu método. Minhas amigas me traziam aqueles folhetos de músicas traduzidas de uma escola famosa (vocês sabem qual é) e com isso, algumas fichas telefônicas (lógico que não tinha telefone) e um gravador antigo, aprendi muito mais que muita gente.

Então era assim, vinha o folheto, eu preparava a fita, ia no orelhão, ligava na rádio, pedia a música para gravar (sim, se não pedisse pra gravar não tinha aquela vinheta pra você ficar esperto) e corria de volta pra casa pra poder pegar a música. Enquanto ouvia, lia, entendia com a ajuda da tradução e decorava a música ao ponto de cantar inteira sem olhar, fazia o mesmo com a próxima música. Lógico que a ordem era da mais popular para as desconhecidas. Coitadas das teachers que tinham que me aturar com mil dúvidas que ninguém tinha! Funcionou! Não tenho do que reclamar do inglês da escola pública, he he!!!

Isso foi longe até que, no segundo ano colegial, recebi minha primeira proposta de trabalho: traduzir um encarte do Iron Maiden (Fear of the Dark) em troca de um dicionário escolar Michaellis sem a capa. Aceitei na hora, lógico. Fiz sabe Deus que tradução! Mas ganhei meu companheiro. Eu lia, decorava e entendia aquelas chaves de pronúncia (que só fui saber do que se tratava na faculdade) intuitivamente. Aliás, ele me acompanhou até a faculdade. Só abandonei porque estava soltando todas as folhas.

Foi muito tempo nessa toada, eu amava cada vez mais o inglês e, cada vez mais, o pessoal tirava sarro de mim. Eu só dizia: vai rindo, um dia ainda vou ganhar dinheiro com isso!!! Nunca imaginei que fosse ganhar dinheiro praticamente SÓ com isso, hahahahhahaha.

Bem, a miopia sumiu do nada, meu cabelo cresceu, fiquei gatinha... e os meninos que tinham medo de mim começaram a me olhar de forma diferente, foi minha vez de esnobar, HA HA. Virei roqueira, cantava muuuuuuito e comecei a trabalhar cedo. Foi tudo muito difícil, mas muito proveitoso (embora esse método "caseiro" de aprendizagem tenha me causado frustração anos mais tarde ao tentar ser professora, mas isso é assunto pra outra prosa).

Por enquanto é isso, tenho que me controlar senão fico aqui direto, gente como é gostoso fazer isso, hahahaha.

Até breve.

Adri

Querido diário, hoje eu criei o meu blog...

Bem, este é o início de algo diferente dos blogs de tradutores. Os nobres colegas têm blogs muito interessantes e úteis, com links, dicas, glossários, notícias. Eu acho isso o máximo! Mas realmente não quero ser mais do mesmo, quero falar de outras coisas, coisas cotidianas, falar de como me tornei tradutora, de como é ser tradutora, mãe, mulher, madrasta, vodrasta, filha, dona de cachorro e gato, dos meus amigos, receitas, futebol, tempo, dinheiro...

Sei que para muitos novatos há um mistério sobre como nos tornamos tradutores profissionais, principalmente quando as faculdades de tradução não eram tão numerosas como agora... Então este blog tem a intenção de contar histórias de vida, compartilhar experiências simples, que envolvem sim a tradução e a carreira de tradutor, mas que não se encerra nisso. Afinal, tradutor também come, tem filho, faz a unha, pinta o cabelo (quando dá tempo), tem dor de cabeça, nas costas, tem gripe!

Aqui é o lugar para falar de coisas cotidianas, de os novatos perguntarem o que quiserem (reservo-me o direito de não responder ou de demorar um pouco para responder se a correria estiver muito grande) sem medo de serem esculhambados por serem inexperientes. Gente, tradutor experiente tem estrada, eu já estou nessa há 10 anos, mas não sou detentora da verdade absoluta, nem quero! Perguntar não ofende, pelo menos a mim não.

É claro que também vou falar de coisas interessantes que descobrir para a profissão. Uso de software, plug-ins, conversão e trabalho com arquivos em diversos formatos, gadgets, memórias, ortografia/gramática, mercado de trabalho, enfim, coisas que possam ser úteis para mim e que terei prazer em compartilhar.

Outro problema que afeta 7 entre 10 tradutores é a falta de tempo. Tempo pra si, para a família, para viver - não é pra traduzir não (esse a gente normalmente dá um jeito de encontrar, aí que está o problema)! Engraçado que tenho notado recentemente um movimento entre os colegas pró-organização.

A questão da qualidade de vida tem rodeado muitos de nós, inclusive eu e o maridão (que também é tradutor). Pretendo aqui também falar sobre isso e, se conseguir (oxalá, ojalá, insha'Allah, if it's God's will...), postarei um plano de ação para mostrar aos colegas e a quem interessar que é possível ter qualidade de vida e traduzir.

Um dia desses minha pergunta no msn após um projeto exaustivo de mais de 300k era: existe vida após a tradução? Esta pergunta precisa ser respondida por mim mesma. E o farei aqui, amado público!!! :-)

Aceito críticas (mas sejam piedosos) e sugestões.

Até a próxima.

Adri